sábado, 27 de agosto de 2016

aprender


"Desaprender oito horas por dia ensina os princípios" 
                                                           Manoel de Barros,  O livro das ignorãças

domingo, 7 de agosto de 2016

vivamente domingo


leo y contemplo desde la hamaca la luz
que declina por la tarde
entre nubes blancas sobre azul
desisto de salir casi todos los domingos
las palabras la música el balanceo
junto a la ventana con la leve
brisa mas fresca en esta época del año

también el silencio me complace
de un modo inimaginable  hace tiempo
ver pasar las horas  la tarde sobre los objetos
de la casa y pisar descalza la madera
sin nada urgente salvo el abandono
vagar entre palabras paladear
pequeñas partes de mí que se escapan
dar tiempo a destellos fugaces
ganas de algo alguien leer pensar
hacer una sopa tejer hilos invisibles
dibujar cielos voces besos

parece ahora que el tiempo se adensa
en el espacio privado de las horas que gotean
y crece intenso a mi gusto lejos de calles
plazas agendas citas cervezas
parece que en la nada difusa de las tardes
en mi casa brotan semillas y flores
que contemplo yo crecer calladas

tardes de domingo que pasan
en suave fluir sobre todo lo que es mío dentro
que se escapa y palpita brevemente
en este ahora que acaba todo el tiempo
respirar sin parar hacia adelante
esos días futuros
que un día dejaré de contar


jueves, 4 de agosto de 2016

sobre casas


"el amor nos hace creer, contra todo pronóstico y experiencia, que el Tiempo será dócil y benigno y respetará la casa a la que por fin hemos llegado"
                                                                                   Javier Montes, Varados en Río

So long Marianne III

“Bien, Marianne, hemos llegado a este tiempo en que somos tan viejos que nuestros cuerpos se caen a pedazos; pienso que te seguiré muy pronto. Que sepas que estoy tan cerca de ti que, si extiendes tu mano, creo que podrás tocar la mía. Ya sabes que siempre te he amado por tu belleza y tu sabiduría pero no necesito extenderme sobre eso ya que tú lo sabes todo. Solo quiero desearte un buen viaje. Adiós, vieja amiga. Todo el amor, te veré por el camino.”
                                                                                          Leonard Cohen



llegó a tiempo la carta
a tiempo de oír de nuevo de saber de nuevo
de sonreír de la manera en que sólo ella podía hacerlo
a tiempo de saber que tú seguías estando
de sentir la brisa de Hydra
el amor de Hydra el sol los días de agua
de tocar su voz en la espalda
a tiempo de cerrar el círculo
de despedirse en un suspiro
de Hydra

Ver también:







sábado, 14 de mayo de 2016

Locos



Ando  masticando ese vaivén dentro entre sentimientos contrarios: andar y replegarse, vivir y pagar el precio. Si andamos, si nos lanzamos al agua, dejamos de estar protegidos, iniciamos inmediatamente una jornada con nuestra incertidumbre a cuestas que se debate todo el tiempo entre el anhelo y las ansias de seguir y el miedo al dolor, a la pérdida. Quietos estamos más a resguardo. Pero quietos nos hacemos piedras. Y el tiempo anda igual.

"Só os loucos começam. Como alguém, em sâ consciência, pode pensar em começar qualquer coisa, se já sabe que advirá o fim? (...) Há loucos inclassificáveis (...) eles avançam além do início e conseguem ultrapassar meios, novos começos e chegar até o final. O final,  para eles como para todo mundo, é sinônimo de morte e, a pesar disso, se contentam e aceitam a derrota só para, daqui a algum tempo, recomeçar. Trata-se de um fenómeno a beira do inacreditável. Por que recomecam? Já conheceram o destino que se abate sobre os idiotas que arriscaram começar e, mesmo assim, continuam. Não há explicação possível, além de loucura no grau mais elevado. Seria como insistir em nascer outra vez. O ressuscitar no momento imediatamente anterior à morte e pedir para morrer de novo. " 
                                                                                 Noemi Jaffe, Livro dos começos

miércoles, 20 de abril de 2016

Nido



Hay días que, en el espacio pecera de mi mesa de trabajo, olvidada del aire y del mar, de la brisa y las piedras, de las hojas, absorta en una burbuja de aire acondicionado y luz eléctrica, me levanto de mi mesa y voy afuera unos instantes, a tiempo de ver de repente que es casi de noche pero todavía atardece. Todavía, a tiempo de ver el cielo rosa y malva con la última luz evanescente que es suave y dulce y fugaz. Solo unos instantes, como dejarse abrazar.Y después volver al trabajo.
Hay días en que estoy tan cansada que me sobreviene una tristeza casi al borde del llanto y hago el camino de vuelta  a casa como arrastrando las piernas. Un hueco apenas, un nido, zambullirme en agua cálida y sólo dejarme abrazar. 



sábado, 9 de abril de 2016

O começo



(...) un começo é essa inauguração grandiosa, mesmo se pequena, em que cada instante tem beleza e particularidade. (...) Não há responsabilidad no começo; é um prazer completo e maciço. O começo não quebra, não tem falhas, é um bloco de alegria. Mesmo que as coisas sejam feitas tateando-se, sem certeza nem razão, ainda assim elas são cabais. Cada passo mínimo que se dê já e completo. Pode ser que haja choro e temor, mas será com intensidade. Uma intensidade que dificilmente se sentirá outra vez. É por isso que o começador criança não quer outra coisa senão o começo."


"Se estiver muito preocupada com o começo, esqueça. Vá fazer outra coisa e, quando menos esperar ele aparecerá. (...) o começo surge do acaso. Na verdade, o começo é o próprio acaso; É ele que dispara todos os acontecimientos e sensações. Se você se prepara, nada acontece. Ou, no melhor dos casos, acontece de forma frustrante. Não almeje. Procure manter a disposição para a surpresa."


"O começo é um suicídio. É preciso arriscar-se para morrer. É preciso morrer de verdade. Abandonar o que se sabe, o que se conhece, o que se quer. Não se pode saber o que se quer. Entregar-se ao vazio e habita-lo sem paredes, teto ou chão. Cair indefinidamente, com o corpo descontrolado, agitando braços e pernas, com a cabeça contraida pelas marcas do vento, a boca aberta sem poder emitir palavra que faça sentido. O som mal chega a ecoar e ninguém vai ouvi-lo. Lá embaixo, não se vê nada; não se sabe se a queda final será na água, no fogo ou na pedra. Sequer se sabe se a queda terminará".
                                                                                  Noemi Jaffe, Livro dos começos